“Na cidade de Nampula, o coração pulsou mais forte no Dia…
“O ANTES NÃO DEVE SER COMO O DEPOIS” UM MARCO NA GESTÃO DAS ÁGUAS DE MESSALO, MEGARUMA E MONTEPUEZ EM CABO DELGADO


Na majestosa Baía de Pemba, a terceira maior do mundo, realizou-se um seminário que ficará gravado como um divisor de águas, literalmente e simbolicamente no dia 5 do mês dos trabalhadores do corrente ano. O evento, promovido no âmbito do Projecto MozWater/IUCN em parceria com a Embaixada dos Países Baixos, tendo a ARA-Norte, IP como benificiária das actividades de gestão de recursos hídricos, trouxe à luz os primeiros resultados dos modelos hidráulicos e hidrológicos das bacias de Messalo, Montepuez e Megaruma, além da proposta de uma unidade de controle de cheias e secas.

Em Pemba, vozes que ecoam esperança contou com a sua presença e contribuíram com apresentação dos consultores como um evento mais esperado. O encontro marcou com a presença do Director Geral (DG) da ARA-Norte, IP, Carlitos Omar, Director Geral Adjunto do Instituto Nacional de Metrologia (INAM), Mussa Mustafa Director da Divisão de Gestão da Bacia de Messalo, (DGBM) da ARA-Norte, IP, Gestor do Projecto MozWater/IUCN, Agostinho Bento, Oficial do Programa Blue Deal, Édipo Miroles, quadro enviado do MOPHRH-Gabinete de estudos de projectos, Isabel Vilanculos, e quadros da DNGRH, ARA-Norte, IP, INGD, entre outros, que participaram do evento em ambiente que marcou com fortes debates e espectativas de melhoria de desempenho deste esperados modelos que irão ajudar na planificação e mitigação dos eventos climáticos destas bacias hidrográficas, através de instalação de uma unidade de controle de cheias e secas na ARA-Norte, IP.


No inicio do encontro O Diretor-Geral da ARA-Norte, IP, Carlitos Omar, destacou que“Estamos há anos desde a constituição desta ARA, sem modelos hidráulicos e hidrológicos para as nossas bacias. Este é o momento crucial para podermos ouvir os consultores e preparar o futuro.” Com a materialização deste plano, apresentado pelos consultores as palavras do Dirigente da ARA-Norte, IP, ressoa como um apelo colectivo dos presentes para contribuírem pela qualidade para planear para mitigar, prever para salvar. As Bacias hidrográficas em alusão são as principais de Cabo Delgado e estratégicas, mas, vivem por uns desafios urgentes. Messalo é a maior e mais estratégica, vital para abastecimento e agricultura, Montepuez, a maior bacia interna, com forte impacto social. Já para Megaruma, considera-se a mais extensa e igualmente vulnerável às intempéries. Aliástodas as bacias enfrentam o mesmo inimigo como inundações cíclicas que isolam comunidades, destroem estradas e forçam deslocamentos.

O seminário que muitos aguardavam na cidade de Pemba foi devido em dois actos: primeiro os Consultores procederam a apresentação dos modelos hidráulicos e hidrológicos, revelando áreas críticas e cenários de risco. De seguida foi da proposta da unidade de controle de cheias e secas, uma ferramenta que ira ajudar a ARA-Norte, IP a antecipar desastres e permitir evacuações com até um mínimo de três dias de antecedência. O Diretor Geral Adjunto do Instituto Nacional de Metrologia, (INAM) entre outros participou como convidado e apoiou bastante a iniciativa dos modelos de previsão. Ele apelou aos consultores para garantirem a precisão das previsões, lembrando que sua instituição já tem protocolos de cooperação com os gestores de recursos hídricos. Demonstrou disponibilidade para colaborar até a concretização dos estudos finais. Mustafa, reconheceu que, sendo uma consultoria ainda em curso, os modelos representam uma “parede de combustão” (um avanço importante), mas alertou para o risco de perda de confiança caso falhem.


Durante os debates foram encontrados alguns Pontos-chave destacados. O Director da ARA-Norte, IP, da Divisão de Gestão de Bacias Hidrográficas de Megaruma e Messalo, Micas Bule, enfatizou a necessidade de modelos práticos que apoiem a gestão de cheias e recursos hídricos. Ele sugeriu que os mapas incluam distritos, população abrangida, estradas e pontes afetadas, para facilitar a evacuação com pelo menos três dias de antecedência.

Nesta perspectiva o MozWater/IUCN reforçou a ideia de que “O Antes não Deve ser como o Depois”, segundo, o Professor Denis Juizo, os consultores têm a obrigação de assegurar que os modelos hidráulicos e hidrológicos, bem como as unidades de controle de cheias e secas, sejam funcionais e aplicáveis às bacias hidrográficas de Messalo, Megaruma e Montepuez, em Cabo Delgado. Diante varias contribuições e debates, os consultores reforçaram que os modelos não são apenas números, mas paredes de proteção para os próximos 25, 50 e até 100 anos. Um investimento de longo prazo que pode evitar que cada cheia seja uma tragédia anunciada. Contudo, as anomalias verificadas foram vistas como parte do processo necessário para assegurar rigor, eficácia e eficiência na operacionalização e nos resultados esperados.

Em fim a mensagem é clara: não basta produzir modelos teóricos, é preciso que eles sejam operacionais, contextualizados e capazes de salvar vidas e infraestruturas. A exigência é que tragam informações úteis e acionáveis para a mitigação de cheias e secas, com foco na antecipação e na preparação. A intervenção dos participantes reforçou a importância da precisão técnica e da credibilidade dos modelos, destacando que a cooperação institucional é essencial para transformar a iniciativa em resultados confiáveis e sustentáveis.
Por: [Wild António Alfredo/ARA-Norte, IP]

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